Backup em fita está ultrapassado?

Imagem: Tecmundo

Por Yuri Amorim, DataSafer

Backup em Fita ou em Nuvem? Como escolher?

Para a garantia das operações e da continuidade dos negócios com alta disponibilidade e segurança, é imprescindível para as organizações contarem com soluções de backup profissionais.

Se a organização transfere as atividades de gerenciamento de backup para um MSP (Managed Service Provider), a escolha da melhor tecnologia deverá envolver também a avaliação técnica do MSP, observando vários requisitos obrigatórios e desejáveis entre as tecnologias disponíveis.

Com métodos diferentes de backup, como selecionar a melhor tecnologia? Você utilizaria um sistema de armazenamento em nuvem, um plano de backup em fitas ou talvez um sistema híbrido?

Neste post vamos comparar os prós e contras envolvendo as tecnologias de armazenamento em fita e em nuvem para ajudar na sua decisão. Vamos lá?

Conhecendo as diferenças

Para decidir qual solução é a melhor para sua organização, avalie a rotina de trabalho da sua equipe de TI, considere o tempo e as pessoas que serão envolvidas em cada processo e como isso irá garantir a disponibilidade dos dados em caso de perda.

Veja abaixo um comparativo em relação aos requisitos mais importantes no processo de backup:

1. Tecnologia de Armazenamento

Backup em fita: É uma prática muito comum utilizar o método GFS (Grandfather, Father and Son) para a rotação das fitas e esquema de retenção.

O método GFS é baseado numa agenda de 7 dias, no qual é feito pelo menos um backup full a cada semana. Nos demais dias são realizados backups diferenciais (diários – filhos).

O backup full realizado durante a semana (“pai”) será considerado como o “backup semanal”. No nosso exemplo o backup full semanal foi programado para a segunda-feira.

Desta forma, o método GFS consiste em criar 3 conjuntos de backup, sendo um diário, um semanal e outro mensal. Assim as fitas poderão ser rotacionadas depois de 7 dias e as semanais (“pai”) após um mês.

Segue esquema de backup GFS para rotação de fitas:

  • Backup “avô’: backup full mensal, geralmente com armazenamento fora da empresa (offsite)
  • Backup “pai”: outro backup full, semanal
  • Backup “filho”: backup diferencial referente ao set de backup pai da semana

Tabela 1 – Método GFS

Mesmo com o método GFS que foi elaborado para otimizar o consumo de fitas e permitir a sua reutilização, o administrador de backup terá algumas dificuldades adicionais:

  • Risco de corromper uma rotina de backup filho e de impossibilitar a restauração da semana. Será necessário então recorrer ao backup full do mês anterior (“avô”), prejudicando o seu RPO (Recovery Point Objective);
  • Necessidade de catalogação das fitas e logística de armazenamento no mesmo ambiente, com risco de perda dos dados em caso de desastres ou roubos;
  • Necessidade de armazenar pelo menos a mídia do backup full (“avô”) em outro local externo (offsite).

Backup em nuvem: Os agentes de backup com tecnologia em nuvem utilizam o método de backup incremental e backup incremental contínuo, tornando a gestão e operação do backup mais simplificada e segura para o processo de restauração.

As janelas para a realização de backup diminuem tornando o processo mais eficiente, realizando somente o backup delta dos blocos alterados referente ao job anterior.

Desta forma é necessário somente um backup completo inicial. Depois disso, uma sequência contínua (permanente) de backups incrementais ocorre nos horários agendados.

A solução de backup incremental contínuo fornece as seguintes vantagens:

  • Reduz a quantidade de dados que trafega pela rede, diminuindo a janela de backup;
  • Reduz o crescimento dos dados porque todos os backups incrementais contêm apenas os blocos que foram alterados desde o backup anterior, economizando no volume de armazenamento;
  • Maior garantia no processo de restauração.

Tecnologias profissionais de backup em nuvem, como da ArtBackup, utilizam o método de backup incremental a nível de bloco (Block-level incremental backup), conforme esquema abaixo:

Figura 1 – Backup incremental

2. Infraestrutura necessária

Backup em fita: a maioria dos formatos em fita oferece uma grande capacidade de armazenamento, utilizando espaços físicos relativamente pequenos. Tape libraries e autoloaders quase não consomem espaço em rack e oferecem às empresas uma maneira fácil de fazer backup de nível corporativo, sem necessitar de salas inteiras para suportar seu hardware. Além disso, os consumíveis possuem boa capacidade de armazenamento, são pequenos e fáceis de guardar.

Contras:

  • Solução cara para várias localidades: Para empresas com vários sites, com matriz e filiais distribuídas, torna-se muito caro investir na aquisição de um conjunto de tape libraries, fitas e licenças de agentes de backup. Além de tornar a gestão do backup on premisse muito complexa.
  • Necessidade de contar com serviço de guarda externa de fitas: Para atender as boas práticas de segurança será necessário contratar serviço de guarda externa das fitas (offsite), para minimizar riscos relacionados à perda de informações em decorrência de sinistros (falhas humanas, roubos, desastres naturais, incêndios etc). O custo mensal deste serviço geralmente é mais dispendioso do que a contratação de Backup em Nuvem.
  • Para o tape drive: Para a operação do tape drive (para uma fita) ou tape library (para set de fitas) você deverá disponibilizar espaço no rack, energia elétrica estabilizada e no-break. Para garantir o bom funcionamento da tape library, é importante fazer um contrato de manutenção NBD (Next Business Day) com o fabricante.
  • Refrigeração do ambiente: Para cumprir às especificações de guarda das fitas no ambiente da empresa por longo período (caso não seja contratado serviço de guarda externa), será necessário atender alguns requisitos mínimos de controle de temperatura e de umidade:

Tabela 2 – Especificações de ambiente para fita IBM LTO Ultrium 7 [1]

Para evitar a degradação das fitas magnéticas prematuramente, será importante que o administrador do backup observe os seguintes pontos:

  • Cuidado com o manuseio das fitas por pessoal da TI da empresa e por empresas terceirizadas para transporte e guarda externa;
  • Qualidade do ambiente de armazenamento na empresa e offsite para guarda externa;
  • Número de vezes que a fita é acessada durante a sua vida útil;
  • Qualidade da mídia fornecida, evitando marcas e modelos de fornecedores desconhecidos e de pouca reputação.

Backup em nuvem: Serviços profissionais de backup em nuvem como da plataforma ArtBackup atuam com o modelo BaaS (Backup as a Service), sem a necessidade da empresa fazer a aquisição de dispositivos (tape library), custos de armazenamento de fitas, serviço de guarda externa, licenças de software, treinamento de equipe com softwares mais complexos.

O setup do serviço de backup em nuvem é simples e em poucos minutos já é possível realizar o primeiro backup manual e deixar as demais rotinas agendadas, de forma automática e em horários de baixa demanda de processamento do servidor e de uso do link, como de madrugada.

O principal requisito para o serviço de backup em nuvem é contar com banda de Internet compatível com o volume de dados para fazer upload diariamente. Em alguns cenários é recomendado contar com um link dedicado para o serviço de backup.

Segue na tabela uma relação de banda de upload necessária para gravar dados por dia, independendo de qualquer sistema de backup em nuvem:

Tabela 3 – Banda de Internet X Volume de Dados

Ou seja, com uma banda de 10Mbps, conseguirá gravar até 105GB por dia, isso considerando que a Internet será utilizada ao máximo de sua capacidade 24 horas no dia e sem overhead.

Finalmente, se o acesso à Internet da empresa for realizado com servidor proxy, verifique se há restrições de largura de banda no proxy.

3. Tempo de recuperação

Além das taxas de transferência das mídias de fita e de upload de backup em nuvem para determinar a janela de backup, outro fator importante para ser especificado é o tempo de restauração dos dados.

O administrador de rede e o MSP devem especificar o tempo de RTO (Recovery Time Objetive). RTO é o tempo que os serviços e operações conseguem se manter, após uma falha ou desastre, sem causar impacto para os negócios.

Um processo de negócio mais crítico pode necessitar de um RTO mais agressivo, de poucos minutos. Já um processo que causa menos impacto à organização pode ter uma prioridade menor. Para realizar esse cálculo, é necessário estudar minuciosamente a criticidade e o impacto de cada processo para, a partir daí, determinar o plano que ditará a estratégia e os recursos que garantirão que o RTO seja atendido.

Backup em fita: O tempo de restauração em fita poderá variar muito conforme especificado em projeto. Por ter que manusear vários componentes locais, a logística fica mais complexa. No processo de restauração, serão necessários seguir alguns passos:

  • Verificar qual o set de backup que precisará ser restaurado, localizando no catálogo de fitas;
  • Encontrar a fita, que pode estar ainda na empresa. Se for necessário requisitar uma fita que está em guarda externa, o tempo de restauração irá se estender;
  • Carregar o set de fita e verificar se é compatível com a sua tape library;
  • Ter acesso as senhas e chaves de criptografia;
  • Para restauração granular de um arquivo, o tempo dependerá “em que ponto” está na fita magnética.

Quanto maior o tempo que a empresa ficar parada, maior será o prejuízo financeiro e o desgaste com a equipe de TI.

Outro ponto de atenção com o uso de fitas é a necessidade de realizar testes de restauração com maior frequência, pois não é possível determinar como está a saúde das mídias Se houver algum problema na fita você descobrirá somente no momento de restauração.

Backup em nuvem: Os arquivos poderão ser facilmente recuperados em casos de invasões ou desastres naturais, de forma online os dados poderão ser restaurados para o mesmo servidor ou para outro destino, sendo necessário somente uma conexão com a Internet.

Encontrar qual arquivo que você deseja restaurar é muito mais intuitivo e rápido com soluções em nuvem, não necessitando carregar todo set de fitas para encontrar em qual fita está o arquivo desejado.

O acesso para o processo de restauração ocorre com login e senha administrativo, com canal seguro de transmissão por SSL.

Soluções de backup em nuvem utilizam tecnologias disk-to-disk (D2D) ganhando em segurança e performance com tecnologias de redundância como RAID.

Tecnologias profissionais de backup em nuvem provem também a opção de realizar réplica de backup na infraestrutura local da empresa, tornando o tempo de restauração e o RTO bem menor, com taxa de transferência da rede LAN.

4. Escalabilidade

A escalabilidade é um destaque para soluções de Backup em Nuvem, pois o volume de armazenamento em data center é elástico, podendo aumentar ou diminuir conforme a demanda do volume de dados da empresa. Já com soluções on premisse com fitas, pode ocorrer situações em que a demanda aumente muito e a tape drive não seja mais suficiente para atender, sendo necessário fazer nova aquisição de unidades de maior capacidade como tape libraries.

5. Custos 

A análise de custo entre as tecnologias de Backup em Fita e Backup em Nuvem podem se tornar muito complexas ou muito simplificadas, dependendo de quais itens você colocará na conta para comparação.

Para o cálculo de TCO (Total Cost of Ownership) entre as tecnologias de fitas e de backup em nuvem, precisam ser avaliados os custos diretos e indiretos. Além disso, precisa ser analisado pela empresa o custo financeiro de investimento para a aquisição de equipamentos (CAPEX) versus a contratação de serviço de backup gerenciado, realizado por empresas especialistas, com pagamento mensal (OPEX).

Componentes para cálculo do TCO com backup em fita:

Tabela 4 – Componentes para cálculo de TCO backup em fita

Componentes para cálculo do TCO com backup em nuvem:

Tabela 5 – Componentes para cálculo de TCO backup em nuvem

Como tomar uma decisão?

É importante avaliar qual tecnologia poderá atender os principais requisitos de confiabilidade e segurança para os processos de backup e de restauração:

  • Disponibilidade do sistema de backup dentro da janela disponível, sem impactar na operação de TI;
  • Tempo de recuperação e RTO que atende a operação da empresa;
  • Armazenamento de dados em locais seguros, com acesso restrito;
  • Dados armazenados com criptografia protegendo contra vazamento de dados.

Em geral, o orçamento do GB (Gigabyte) para armazenamento de dados com retenções inferiores a 365 dias é mais favorável para tecnologia de backup em nuvem. Como a operação é simplificada e há maior garantia para a recuperação dos dados, com RTO menor, as empresas selecionam a tecnologia de backup em nuvem para os dados mais sensíveis e de missão crítica para a empresa.

De outra forma, para dados que requerem pouco acesso, pouca modificação e dados mais antigos, ou seja, de menor importância para o negócio, são elegíveis para backup em fita. Grandes volumes de arquivamento e retenções superiores a 365 dias podem ser avaliados para armazenamento em fitas.

Referências: 

[1] Especificações de ambiente para fita IBM, URL https://www.ibm.com/downloads/cas/X5RD2Z2Z

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